domingo, 16 de setembro de 2018

Boi

Feliz aniversário Zé Boi querido! Parabéns pelos teus 74 anos... um beijo! Mesmo que você não possa me ouvir e já não saiba quem eu sou. Leila. (16/09/2018)
 José Carlos Cezar Ferreira-Boi
Linda homenagem que sua ex mulher e minha querida amiga Leila Ferraz presta no dia do seus 74 anos. O Boi sempre foi um amigo suave. Muito inteligente e sensível. Tive e tenho algumas obras suas. A comunicação nos últimos anos anda difícil. Ele optou por ouvir menos. Obrigado Leila por palavras tão lindas nesta data.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Myra Landau

Myra Landau tem obra exposta em São Paulo
Fui ao Sesc de Pinheiros, em São Paulo, visitar uma exposição de arte denominada " O Outro Trans Atlântico". Com curadoria de Marta Dziewanska, Dieter Roelstraete e Abigail Winograd, a mostra foi organizada pelo Museu de Arte Moderna de Varsóvia em 2017, tendo passado pelo Garage Museum of Contemporary Art em Moscou em 2018.
A exposição examina um breve momento, embora historicamente significativo, na era pós-guerra, quando artistas da Europa Oriental e América Latina compartilharam um entusiasmo por Arte Cinética e Op Art. Essa tendência representou uma alternativa e um desafio para o consenso crítico da arte dominante no Atlântico Norte. Enquanto o Expressionismo abstrato, a Arte Informal e a Abstração lírica reinavam supremos nos centros de arte estabelecidos de Paris, Londres e Nova York, um capítulo distinto da história da arte estava sendo escrito, ligando os pólos de Varsóvia, Budapeste, Zagreb, Bucareste e Moscou com Buenos Aires, Caracas, Rio de Janeiro e São Paulo.
Uma rede de práticas artísticas foi forjada, seus artistas se comprometeram com um conjunto inteiramente diferente de questões estéticas surgidas no contexto de realidades políticas e econômicas análogas. O florescimento da Arte Cinética e da Op Art nessas regiões foi, em grande parte, uma manifestação de fascínio pelo movimento, seus efeitos estéticos e as oportunidades dinâmicas que gerou, criando novas possibilidades para o engajamento do público.
Desde modo, a mostra apresenta obras de mais de 40 artistas e coletivos vindos de ambos os lados do Atlântico, apresentados em uma narrativa que reflete fatos comuns entre seus interesses e intuição criativa. Através de um foco em arte que ultrapassou objetos estáticos e definições claras do papel do artista, o caráter de uma obra de arte e o papel do espectador, a exposição tenta reescrever um capítulo marginalizado da história da arte após a Segunda Guerra Mundial através da uma perspectiva geopolítica diferente.
Em São Paulo, a mostra organizada pelo Sesc SP, em colaboração com o Museu de Arte Moderna da Varsóvia, com o Museu de Arte Contemporânea Garage; Instituto Adam Mickiewicz e com a Casa Sanguszko de Cultura Polonesa, seleciona além das obras originalmente apresentadas em Varsóvia e Moscou, um maior número de obras de arte da América Latina, tendo contado com a colaboração da pesquisadora Ana Avelar.
Uma tela cedida pela Pinacoteca de São Paulo, da artista e minha amiga MYRA LANDAU, faz parte da exposição.
A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé e área interna

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Nelson de Souza

Suaxará

Meu amigo Nelson de Souza é uma pessoa difícil de definir. Dessas que surgem em nossas vidas por acaso e quando nos damos conta somos baita amigos. Para quem não o conhece e para facilitar uma descrição pensem no jornalista e escritor Merval Pereira. Poderiam ser irmãos. O Nelson alguns anos mais velho, mas a mesma voz, a mesma postura, o mesmo bigode. As semelhanças ficam por aí, mesmo porque não conheço pessoalmente o Merval. O Nelson é gaúcho e usa algumas expressões do sul que nunca ouvi do seu sósia. Mas fomos almoçar dias atrás em São Paulo, e levei-o num restaurante japonês que se gaba ser único no mundo: comida japonesa com trufas como ingrediente principal. Tartuferia Giapponese, na Alameda Lorena, 1892. Na casa a única nipônica é a host, e de quarta geração. Uma gracinha de menina. Os outros funcionários são brasileiros, e idênticos a de todos os restaurantes de São Paulo. A maioria cearense. Mas o Nelson, que sempre é muito cordial e agradável perguntou o nome da nissei, quando ela veio à nossa mesa saber se tudo andava bem. E antes que ela respondesse, deu um largo sorriso, e contou a história que ouvira da atriz Irene Ravache. Certo dia entrou numa floricultura e perguntou para a vendedora, japonesa, qual era seu nome? A moça respondeu Suaxará. Ireni repetiu: Suaxará? A moça confirmou. Nunca mais chamou-a por outro nome. A moça se chamava Irene.

Nelsinho Telles

Homenagem póstuma (4 de Setembro de 2018)

Hoje foi a missa de sétimo dia do Nelsinho Telles, amigo de dezena de amigos meus. Nelson Telles de Almeida Santos. Foi casado com minha queridíssima amiga Indiana Meirelles. Há muitos anos não o via. Era uma pessoa simpaticíssima. Do bem. Pois fui no Google atrás de mais dados, ou de uma foto. Não encontrei nada. Ele foi um daqueles que certamente passou pela vida sem se comprometer com essa tal de era digital. Conheço muitos amigos nessa situação. Mas por conta do seu nome encontrei o Nelson Rodrigues numa foto que me fez lembrar a campanha do capitão candidato a Presidente. Será que o teatrólogo seria hoje eleitor do Bolsonaro? Mas pelo mesmo motivo do nome apareceu o Nelson Pereira dos Santos. Meu amigo Nelson de Souza, com quem iria jantar hoje, mas por conta da chuva o jantar foi adiado. E mais Lygia Fagundes Telles, e Aracy de Almeida, e o maior capista brasileiro, muito vivo, Hélio de Almeida. Não consegui uma foto do nosso Nelsinho. Deixou saudade, e nem uma imagem no Google.





quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Singela homenagem ao João Vogt


Hoje soube da morte do velho amigo João Vogt através do seu genro e grande amigo Dudi Maia Rosa. Muito antes de conhecer o João eu era amigo do artista plástico Dudi e conheci sua esposa Gilda aquarelista e pintora, grávida e com filho pequeno. O João fui encontrar no Jockey onde fazíamos ginástica e praticávamos cooper na mesma turma. Carioca, falante, muito carismático, conversava enquanto corríamos. E desenvolveu uma tese de que falando obrigava a disciplinar a respiração e com isso a corrida era mais agradável. Ao ser perguntado como fazia quando corria sem ter com quem conversar, respondeu: CANTAROLE. Passou a ser chamado carinhosamente de João Cantarole. Rendo aqui minhas homenagens póstumas ao amigo que deixa muita saudade.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Roberto Klotz

Crônica sem título, por enquanto
Aos poucos as afinidades vão juntando pessoas que apesar de não se conhecerem pessoalmente passam a se interagir como amigos de longa data. O fato é que afinidades juntam as pessoas. E por elas passamos a ter admiração, respeito, e prazer em trocar informações, ideias, e conhecimentos que para os comuns dos mortais é completamente inútil. Por circunstâncias da vida o escritor lisboeta com quem travava essas conversas se separou, passou por um longo período deprimido, e voltou a namorar uma rapariga, que não conheço. Mas nossos papos literários foram interrompidos, temporariamente, espero eu. Neste ínterim um novo assumiu o posto e temos dado boas e gostosas risadas. E olhe que os tempos não estão para rir. Muito pelo contrário. Ele escreve, e muito bem. Cria histórias deliciosas. Às vezes, seus textos são tão elaborados literariamente, que escapa, de boa parte dos leitores, a compreensão exata. Ele, então, explica. Pacientemente. O humor é seu pano de fundo, usando da ironia, da crítica social, política e institucional, para criar situações cômicas e divertidas. Desde o título de seus textos, como por exemplo: " SUTIÃ PENDURADO NA ORELHA DO MINISTRO DA JUSTIÇA", até toda a trama desenvolvida, são usados para provocar interesse, suspense, sorrisos e prazer literário. Não preciso dizer que estou falando do Roberto Klotz. Recentemente andamos falando da sonoridade das palavras, como esbórnia, por exemplo. E no mesmo dia recebo um e-mail de um amigo de Veneza, me saudando com um vinho local denominado Raboso. Não pude deixar de lembrar da água mineral portuguesa chamada Penacova. Há palavras absurdamente envolventes, sedutoras e amáveis. Outras desastrosas.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Myra Landau


16.7.18

MYRA LANDAU


A tristeza com que escrevo estas linhas é enorme. Previsíveis, uma vez que a amiga Myra vinha se lamentando do seu estado de saúde, fraqueza, e desânimo já há algum tempo. Pudera, estava com 91 anos. Muito ansiosa com a exposição que acontecerá, nos próximos meses, em NY. Desconfiava não poder presenciar. E isso, e o frio do inverno a incomodava muito. Myra fez um grupo pequeno, mas muito fiel, de amigos, através do meu blog Varal de Ideias. Jorge Pinheiro, e João Menéres, estão entre eles. Do Jorge recebi os originais, quatro ou cinco anos atrás, de um trabalho escrito sobre a grande artista. Acredito que nunca tenha sido publicado. Sugiro que envie para sua filha Dominique. A saudade que a Myra irá provocar é enorme. Estava sempre enviando-me digitalmente uma pintura, e querendo saber minha opinião. Cobrava quando a  resposta tardava um dia. Gente com essa idade tem pressa. E como, brincando, uma vez eu disse que gostava mais dos seus traços em curva, eram com eles que me presenteava. Tenho curvas de todas as cores. Há três ou quatro dias recebi um e-mail da Dominique pedindo para escrever umas linhas por carta, pois a saúde da mãe já estava precária, e não lia mais no computador. Na noite em que faleceu, eu sonhei que estava enviando meu próximo livro, que ainda esta na editora. Ao amanhecer recebo um novo e-mail com a triste notícia. Vou sentir muita, mas muita mesmo, saudade da amigona Myra.

Em 11 de agosto de 2011 escrevi aqui umas linhas sobre a querida amiga.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Alvaro Abreu, "sempre alerta"


Vou lhes falar de um escritor e cronista de largo "pedigree". Tenho injustiçado meu novo amigo Alvaro falando só de suas colheres de bambu. Esta certo que elas já lhe deram mais fama e notoriedade do que suas crônicas. Mas ao lado do habilidoso coelheiro, reconhecido e festejado internacionalmente, convive um cronista de textos maravilhosos. Como não os publica no O Globo ou na Folha de São Paulo tem menos visibilidade. São textos publicados no jornal A Tribuna de Vitória, Espírito Santo e no meu blog Varal de Ideias, para minha honra. Em Cachoeira do Itapemirim ele reina. Não só pela qualidade dos textos quinzenais como porque faz parte (discretamente) da família Braga. E não confundam com a do Roberto Carlos. Ele é um Braga do ramo das letras. E não de música, mas das melhores crônicas da literatura brasileira. Newton e Rubem Braga são seus tios. Isso lhe confere um "pedigree" e tanto. Mas não é fácil ser herdeiro de tamanha herança. Alvaro se saiu muito bem. Com a mesma modéstia e discrição que é marca da família, da continuidade a uma obra literária ainda a merecer atenção. Ele esta "sempre alerta", título de uma de suas recentes crônicas, quando aborda o esoterismo numa praça de São Paulo. Quem não esta "alerta" são os órgãos de imprensa que não o publicam.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Waldo Claro, meu inspirador



Estávamos em 1963 quando conheci o jornalista Waldo Domingos Claro (79). Ele sempre de terno e gravata, fumando e girando um anel de ouro no dedo anelar da mão esquerda. Era secretário político do Presidente da UDN, deputado federal Herbert Levy. Em frente de uma Olivetty elétrica, bom datilógrafo, escrevia sua coluna no jornal Gazeta Mercantil, e posteriormente no jornal que ajudou a fundar, Notícias Populares. Eu admirava e invejava a sua capacidade de escrever sem nenhum rascunho ou anotações prévias. Raramente, ao reler, fazia algumas correções à caneta tinteiro. Sessenta e três anos depois estamos juntos aqui nas páginas do FB, eu escrevendo, catando milho, no meu notebook, e ele comentando meus miseráveis textos. E não posso deixar de lembrar, e mais uma vez invejar, a clareza e rapidez com que construia seus textos. Sempre políticos, nessa época. Depois fez voos muito mais altos no Estadão, onde trabalhou por muitos anos. Hoje mora em Jaú.  E não posso deixar de citar, com saudade, o Lisfer,  amigo comum, que nos deixou no ano passado.. A ele minhas homenagens.   

PS- Em 16 de Agosto de 2011 escrevi aqui sobre o amigo Waldo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Nenê - Francisco Giaffone




Nenê, o FB me informa que temos 100 amigos em comum. Nem sabia que tinha tantos... Dentre todos eles você é seguramente quem mais admiro pelo HUMOR, INTELIGÊNCIA, e saudável IRONIA. Não se assuste, não vou pedi-lo em casamento. Mas gostaria de te enviar os originais (que estão sendo revisados) do próximo livro de crônicas que deverei publicar no primeiro semestre de 2017, sob o título " O diabo desse anjo". Teria enorme prazer se pudesse contar com um prefácio seu. Fique, porém , absolutamente a vontade para recusar o convite, sem nenhuma necessidade de qualquer desculpa. Nos próximos dias vou mandar pro amigo o ultimo que esta saindo da gráfica: "Dance comigo". O livro motivo do convite será nos mesmos moldes gráficos e editoriais. Mande-me seu e-mail para que possa te enviar os originais do O diabo desse anjo".

Publico essa mensagem que enviei para o Nenê nesta data (19/08/2016) na esperança de obter uma resposta positiva. Ao começar a trabalhar esse novo livro " O DIABO DESSE ANJO", faltava-me alguém para PREFACIAR. E o perfil do Nenê veio a calhar. Ninguém que eu conheça tem mais talento para esse prefácio. O título pede um texto bem humorado, irônico e inteligente como é o Francisco. Tomara que aceite.

24 horas depois:

 Caro Eduardo Obrigado pelas suas palavras e pelo seu convite. Nunca antes fiz algo semelhante . Espero que não seja " muita areia para o meu caminhão ". O meu e - mail é orgplan@uol.com.br Fico no aguardo do " O diabo desse anjo ". Abraço

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Marilia Alvarenga




A imagem tem nome: aperna . Postada em 31 de Agosto de 2007 no blog ALVARENGA sempre...
A postagem: sem nexo casual


Alvarenga sempre, esse é o nome do seu blog. 2006 foi o ano que iniciou a postar, e com grande atividade. Depois foi diminuindo até 2011 quando deu um salto para Abril de 2016 numa única postagem. Prometia voltar a escrever. Marília e eu começamos a blogar no mesmo ano. Ela em Belo Horizonte e eu na Piacaba, SC. Fomos bons amigos blogueiros. Ela sempre muito gentil e atenciosa. Seus comentários e tenho dezena deles eram sempre nesse tom: "
marilia disse...
Eduardo,me torno repetitiva em seu blog!
É minha galeria de artes preferida!
bjão!
ps: valeu o apoio lá na convocação,mas, passe lá outra vez que tem outro convite ( update) e eu gostaria muito que vc pudesse divulgá-lo!
bjão!

domingo, 21 de agosto de 2016

Maria Cecília Machado

 Maria Cecília sobre quem já escrevi e publiquei inúmeros posts no Varal de Ideias tem uma foto muito melhor completamente perdida em meu confuso arquivo fotográfico do que meu desenho de 1993, quando fomos namorados, e muito melhor do que a caricatura de 2011, quando foi minha Vítima da Quinta.  Um dia vou acha-la. Sobre essa maravilhosa mulher, linda pessoa, extraordinária amiga, e a mais otimista de todas que já conheci, poderia escrever um livro. Foi, só pra dar um pequeno exemplo, a única pessoa a me dar de presente uma cozinheira. Isso mesmo, presente que não se dá nem pra mãe. E o mais fascinante e hilário da história  é que trabalhou em casa alguns anos. Saiu para casar. Era uma mulata magra, bonita de nome Maria, e que de cozinha nunca soube nada. Como assim? Pois é, cozinhou anos e nunca percebi que sempre sob o comando da Maria Cecília, via telefone e visitas à tarde. Mesmo depois que tornamos só grandes amigos. Eu nunca soube. E rimos, os três, quando anos depois, fui visitar a Malemon, como muitos a chamavam, num hospital, onde havia sido operada, e a Maria empregada também estava lá. Maria Cecília é assim, junta maridos e amigos pra toda vida. É a alegria em pessoa. Única mulher no mundo que casou com um armador grego e separou sem levar nada além da roupa do corpo. Depois namorou e  casou muito. Sempre adorou a vida. Vida que para ela nunca foi fácil. Trabalhou com moda e com muita criatividade todo o tempo. Ora como empregada, ora como proprietária de loja e industrial de bolsas e tapetes. Uma investidora de talento. Uma guerreira. Chamava seus novos amores de "parafuzinhos". Estou de "parafuso" novo", dizia. Nunca soube brigar ou ser áspera com ninguém. Certa feita procurou os conselhos de uma amiga para saber como se desvencilhar de um ex marido, que muitos anos depois de casado com outra, vinha a São Paulo, e se instalava em seu apartamento. A amiga sugeriu: "Como ele nunca te deu nada, peça um Rolex de ouro". E a Maria Cecília achou boa a ideia, pediu e ele fez as malas e nunca mais voltou. Essa é minha querida amiga e sempre divertida Maria Cecília Malemon Machado.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Aurélio Martinez Flores

8.7.15

Minha homenagem póstuma ao Aurélio Martinez Flores

Aurélio Martinez Flores, o mexicano que criou uma linhagem arquitetônica no Brasil
por FERNANDO SERAPIÃO

Elegante em seu blazer marinho e camisa quadriculada em azul e branco, Aurelio Martinez Flores havia deixado a bengala encostada num canto e caminhava, tímido, pela Galeria Raquel Arnaud, em São Paulo. O arquiteto mexicano radicado no Brasil havia mais de cinco décadas era o protagonista do vernissage que ocorria naquela manhã de 15 de dezembro de 2012.
A exposição constava de trinta caixas quadradas brancas, aparentemente iguais, com cerca de 30 centímetros de lado – se o invólucro era o mesmo, o conteúdo, porém, era único. Cada uma delas trazia delicados assemblages, colagens que combinavamobjetos vigorosos, muitas vezes melancólicos, dispostos em proporções que não se repetiam. Em uma delas, por exemplo, havia um retrato de Charles Baudelaire e uma folha seca, um vidro de nanquim e um escaravelho. Os insetos, adquiridos na Deyrolle, em Paris – loja que comercializa de leões empalhados a borboletas desidratadas –, imprimiam carga dramática a quase todas as obras.
Muitos dos presentes receberam com surpresa o convite para a mostra. Não que alguém pudesse duvidar da qualidade do trabalho: o espanto se devia a sua recusa, amplamente conhecida, de frequentar reuniões públicas. Sua ojeriza era tamanha que, dez anos antes, contrariando a lógica do mercado editorial, ele pediu que não houvesse noite de autógrafos do próprio livro, uma compilação de parte de sua obra arquitetônica.
Até aquela manhã de sábado, eram poucos os que conheciam aquelas caixas – discreto, o autor contava aos seletos convidados que começara a fazê-las para superar um episódio difícil. Atribuía-lhes uma função terapêutica.
No primeiro domingo de junho passado, Martinez Flores não resistiu aos ferimentos provocados por uma queda sofrida em sua casa na Granja Viana, nos arredores de São Paulo. O vernissage de 2012 acabou ganhando outra dimensão: exibir suas caixas foi uma despedida pública.
A imprensa não registrou sua morte, mas seria injusto criticar os jornalistas, uma vez que até mesmo gente da área ignora a importância de Martinez Flores, a despeito de ele ser o mentor de uma das mais influentes linhas do atual cenário arquitetônico brasileiro, liderada por Isay Weinfeld e Marcio Kogan. “Ele era genial”, disse Kogan, seu aluno no Mackenzie. “Meus trabalhos na faculdade eram conceituais e ele não entendia. Foi difícil receber suas críticas, pois eu o admirava. Em compensação, ele me estimulou muito, acreditando que eu e o Isay iríamos longe.”

Martinez Flores nasceu em Puebla, no México, em 1929. Aprendeu a ler desenhos técnicos na infância, armando aviõezinhos de madeira. Tinha 16 anos quando seu pai sugeriu-lhe aproveitar as férias para trabalhar na loja de móveis situada no térreo da casa da família. O dono do estabelecimento perguntou se o estudante queria montar a vitrine, e o rapaz saiu-se tão bem que lhe foi encomendado novo arranjo a cada três semanas. A loja prosperou e abriu uma filial, cujo projeto ficou a cargo de Martinez Flores. Na ocasião, por pressão paterna, o jovem cursava medicina. A loja de móveis foi seu primeiro projeto de arquitetura.
Ele desistiu da medicina e formou-se arquiteto. Arrumou um emprego numa loja de móveis que representava a Knoll, fábrica americana de peças assinadas por designers da estirpe de Le Corbusier. Quando Mies van der Rohe – professor da Bauhaus e um dos grandes nomes da arquitetura moderna do século XX – projetou a sede da Bacardi na Cidade do México, Martinez Flores foi convocado para criar o hall de entrada. O resultado foi tão notável que a Knoll o convidou para trabalhar em Nova York.
Dois anos depois, a Forma comprou os direitos de fabricação de algumas peças da Knoll. Por sua origem latina, o mexicano foi designado para, por três meses, acompanhar a produção em São Paulo. Em 1960, Martinez Flores instalou-se num apartamento na avenida Paulista com a mulher e três filhos – o quarto e último menino nasceu no Brasil. E os três meses se estenderam até sua morte.
Após uma década na fábrica, Martinez Flores abriu seu escritório de arquitetura e uma loja na alameda Lorena, pioneira no país em comercializar peças de design italiano. Seu primeiro projeto de arquitetura no Brasil – a casa do publicitário catalão José Zaragoza no Guarujá, no litoral paulista – definiu sua arquitetura. Vista de fora, a casa é uma sucessão de caixas brancas com tamanhos diferentes, sem janelas; por dentro, a coisa muda de figura.
O acesso é um dos mais comoventes percursos da arquitetura brasileira: um vão discreto conduz o visitante a um corredor, longo e baixo, que segue escuro até desembocar num pátio luminoso, ao ar livre. Como toda obra de Martinez Flores, a morada do Guarujá é uma colagem fina da arquitetura ibérica com a pureza do design internacional. Seus grandes muros brancos, de textura rugosa e desenho preciso, definem espaços com poucos elementos e luz dramática.

Depois da casa de Zaragoza, o arquiteto recebeu encomendas semelhantes, de famílias como a Muniz Sodré, Diniz, Guinle e Matarazzo. Projetou lojas e restaurantes de luxo; de seus trabalhos abertos ao público, raros, destaca-se a sede do Instituto Moreira Salles[1], em Poços de Caldas.
A perene desigualdade social do país, ainda maior entre as décadas de 70 e 90, quando o arquiteto estava no auge de sua produção, induziu a crítica a ignorar personagens como Martinez Flores, que projetavam para poucos clientes, integrantes da pequena elite brasileira. E assim ele permaneceu relativamente obscuro, dentro de uma caixa-preta. O arquiteto terminou seus dias assistindo a seus talentosos discípulos o superarem, desfrutando de uma realidade econômica que ele não conheceu. Isay Weinfeld, que na juventude foi seu sócio, disse que ele era “um mestre das proporções perfeitas em tudo o que tocava: arquitetura, mobiliário, objetos”. E concluiu: “Lastimo imensamente que sua obra não tenha sido suficientemente reconhecida pelo público em geral, a imprensa e as universidades. É compreensível – seu trabalho era refinado demais.”



[1]O fundador da revista piauí, João Moreira Salles, é presidente do Instituto Moreira Salles
  Eu fui amigo do Aurélio. Nos últimos 20 anos não nos vimos. Vou sentir saudade.

domingo, 5 de junho de 2016

Um trio muito engraçado

A maioria das minhas ideias para crônicas acontecem de madrugada. Sou diurno, diria até matutino. Invejo os notívagos, mas não fui feito para as noites. Curiosamente esta não foi inspirada na madrugada. Já eram quase nove da manhã quando me ocorreu voltar a um tema que já abordei algumas vezes. Homenagear gente viva. Alguns leitores antigos sabem do meu blog 1.blog.a+ onde falo dos meus amigos. A ideia deve ter vinda do Zizinho Papa quando era presidente da Federação do Comércio, e defendia que nome de ruas, praças e edifícios levassem nome de pessoas ilustres e vivas. A praxe era só homenagear os mortos. Havia, já naquela época, polêmica sobre o assunto. Mas concordo com ele, que se deve homenagear em vida, mesmo que não dando nome a ruas ou edifícios. Foi por isso que criei o blog para falar dos amigos. Hoje falo de três, sendo um que mal conheço. Ontem na rádio CBS, no transito, ouvi parte de uma entrevista com Heloisa Seixas mulher do Rui Castro, de quem gosto muito, mas só conheço de ler. Livros e crônicas. Seu humor, ironia, tom de voz, e maneira de falar são muito parecidos com o do meu leitor e amigo Francisco Giaffone. Só isso já seria um elogio. O Francisco é intimo de um dos meus cunhados e muito amigo de vários amigos. Meu mesmo, só de uns três anos para cá. É uma pessoa agradabilíssima. Daquelas que só fazem amigos, e os amigos se divertem com suas histórias. Bom contador de piadas. Um observador atento da gaiatice do mundo. E  costumo dizer que ele faz parte de um trio onde é difícil escolher o melhor. O Papu de Almeida Prado, irmão do Aloísio, e o Franklin Junqueira são as pessoas mais engraçadas que conheço.  

terça-feira, 24 de maio de 2016

Cecília Rodrigues


Esta crônica é aquela que nunca gostaria de estar escrevendo. O Dan Fialdini e seu irmão Romulo estudaram e foram meus contemporâneos do Dante. Depois ficamos muitos anos sem nos ver. O Romulo tornou-se o melhor fotógrafo de arte do Brasil. Certa feita, ele já era famoso, fez um trabalho fotográfico para uma empresa minha e do Luiz Paulo Barbosa, a Suvide. Nunca mais nos encontramos. Sei que tem um filho seguindo a carreira. O Dan foi o braço direito do Professor Bardi durante muitos anos. É um artista e escultor conhecido. Morei e ainda tenho um apartamento vizinho de um imóvel, na rua Horácio Lafer, onde era o atelier da artista, colecionadora e joalheira Cecilia Rodrigues. Já morando em Santa Catarina, e brincando com argila fiz umas "casinhas" em homenagem à obra em mármore e granito do Dan. Convidei o casal Cecilia e Dan para virem me visitar. Tínhamos um casal de amigos comuns que nos davam notícias recíprocas. A Claudia e o Vincenzo Scarpellini eram nossos íntimos.O convite precisou ser renovado vários anos depois para ser aceito. O Vincenzo já havia morrido e a Cecilia gravemente enferma, recém-operada, resolveu criar um blog para escrever suas experiências de vida. Achou que eu poderia ajudá-la na criação do blog. O casal passou um fim de semana em nossa casa. O Dan sempre um príncipe, achou graça das minhas "casinhas". A Cecilia, embora muito abatida fisicamente pela doença, era uma deusa de sabedoria, beleza, e cultura. Meus parcos conhecimentos digitais em nada puderam ajudá-la. Mas criou o blog e escreveu muito. Suas joias, publicadas num precioso livro, que nos deu de presente, usam o que há de mais brasileiro. Pedras, madeira, plumas, penas, e metais. Uma beleza. Ficamos de nos encontrar mais vezes. Eles em São Paulo e nós, Paula e eu na Piacaba, sempre dificultou esse encontro. Receberam-me um dia no apartamento de São Paulo, onde se tirava o sapato na entrada, para não poluir o ambiente branco recheado de arte. Um verdadeiro museu, a casa e a coleção do casal. Ontem o Dan publicou a noticia de que Cecília não esta mais entre nós. Esta crônica eu nunca gostaria de ter escrito.

sábado, 21 de novembro de 2015

Uma crônica

Homenagens póstumas
Sempre fui a favor de fazer homenagens, a quem merece, em vida. As póstumas, e mais comuns, podem e devem continuar sendo feitas, mas o importante é o homenageado poder em vida tomar conhecimento daquilo que, em geral, só é dito e escrito depois da sua morte. Foi por essa razão que criei um blog onde homenageio pessoas vivas. Vivíssimas. O blog se chama "1.blog a+"(http://1bloga.blogspot.com.br/) e conta com 13073 visualizações. Com 54 homenageados, escrevo o que acho de pessoas amigas, virtuais ou não, ou só conhecidas. Falar bem dos que se foram é importante para os familiares e amigos, mas não é o suficiente. O mais importante é a pessoa saber que suas virtudes, obras, trabalhos, e atitudes foram reconhecidas. O reconhecimento póstumo é covarde. É preciso se ter a coragem de dizer o que pensamos das pessoas em tempo delas reagirem. Talvez não chegue ao ponto de defender nome de ruas, praças, avenidas e edifícios de pessoas em vida, como o amigo Zizinho Papa defendia. Pode parecer cabotino. Mas expressar as qualidades do ser vivente, antes da sua morte, é fundamental. Recentemente numa crônica me referi ao saudoso amigo Américão, chamando-o pelo nome, e não pelo apelido. Logo fui indagado se se tratava do seu filho, igualmente Américo Marques da Costa, que infelizmente veio a falecer esta semana. Apesar da minha idade ser mais próxima da do filho, e também meu amigo, tive mais contato com o pai. Falar desses dois queridos amigos agora é fácil. E não vou faze-lo. Deveria ter feito há duas semanas atrás.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

AMÉRICO PICANÇO

O segundo da direita para a esquerda é o AMÉRICO PICANÇO. Foto de 2013, Paula Canto
O Américo por não ser blogueiro ainda não fazia parte desta galeria. Ele e todos os ex colegas do Colégio de Cataguases. A maioria deles merecedores de iguais homenagens.

Américo Picanço Excelente conselho de vida. Não sei é se você conseguiria sobreviver sendo corretor de imóveis. Pelo enunciado acima, mesmo com um negócio fechado, você com essa sua bendita sinceridade e honestidade seria capaz de fazer o comprador se arrepender e desfazer o negócio, se você achasse que não era a compra ideal para ele. Eduardo, você é um cara puro e de caráter ilibado, desde o princípio de nosso conhecimento em Cataguases, senti, sempre, isso em você. Gostaria de alardear aqui para as pessoas assinarem em baixo deste comentário(afirmação mesmo) a seu respeito. Sou cada vez mais seu amigo e admirador( mesmo de longe). Grande abraço!

Eduardo Penteado Lunardelli Américo Picanço, agradeço suas generosas palavras. Não sei se as mereço, mas as aceito com grande alegria. Sou daqueles que participam da ideia de que se deve dizer em vida o que se pensa (de bom) das pessoas. O usual são grandes e eloquentes depoimentos póstumos. Tanto assim que criei, há anos atrás, um blog onde escrevo o que penso dos amigos, para que eles possam saber em vida, e não depois da morte. Fiquei comovido com seu depoimento. E se posso (e depois dos setenta, se pode) dar mais um conselho, não espere que as pessoas "assinem em baixo", pois algumas delas pode até concordar, mas se manifestar por escrito é muito raro. Você é um desses raros amigos. Forte abraço.

Os dois comentários acima dizem "quase" tudo.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Bé Cunha


Só me dei conta de que a minha querida amiga Bé não havia, ainda, sido homenageada aqui, quando ao dar o livro "O último blog e outras blogagens" notei não ter ela sido citada devidamente. Isso deve ter ocorrido por conta de seu distanciamento da blogosfera nos últimos anos. Explica mas não justifica. Ela era muito importante nos anos de ouro. Fizemos até parcerias. Depois ela sumiu. Ficou mais amiga do Mauro, do Peri.S.C.  Ao encontra-la no mês passado em Lisboa, na residência do Jorge Pinheiro, num jantar preparado pela Fernanda, fiquei emocionado de alegria. Uma linda mulher. Exatamente como imaginava. Simpática, objetiva, atenciosa, e bem humorada. Quando é para o bem, é sempre tempo de se reparar falhas e omissões. Fiz minha parte Bé.

LUIS BENTO


Éramos todos blogueiros lá pelos idos de 2007, e nos achávamos donos do mundo. Escrevíamos, comentávamos, postávamos fotos, desenhos e pinturas. Tínhamos centena de visitas e de comentários. Os blogues estavam em alta. Inventávamos definições, palavras, e muitas brincadeiras. Algumas fizeram muito sucesso. Foi nesse ambiente de euforia que um dos amigos virtuais e blogueiro de Lisboa chamado Luis Bento, escritor e intelectual me convidou para prefaciar um livro seu. Tentei dissuadi-lo alegando que como artista plástico tinha pouca familiaridade com as letras e não era a pessoa certa, e qualificada, para ter a honra de cometer um prefácio. Ele não cedeu, insistiu e eu escrevi um prefácio, certamente muito aquém da obra do Luis. Mas ficamos amigos. Ainda que virtuais. O ano passado convidei-o para escrever a orelha do meu livro "O ultimo blog e outras blogagens". Ficamos mais amigos. Ainda que virtuais. Finalmente no mês passado nos conhecemos pessoalmente em Lisboa. Um jantar. Sentamos um ao lado do outro. Era mais alto do que imaginava. Branco, muito claro. Jovem como eu sabia. E tímido. Reservado. Silencioso. E quando falava, e falou muito, fazia num tom de voz quase que inaudível. Fala muito baixo. Tive muita dificuldade de entender tudo que o Luis me disse essa noite. E como éramos muitos à mesa, parecia que segredávamos, pois se eu não o ouvia sentado ao lado, o que poderiam ouvir os outros? Ficou dessa forma feitas as apresentações. Nos conhecemos pessoalmente. Precisamos, agora, conversar.