terça-feira, 16 de agosto de 2011

WALDO CLARO

Quem sou eu

Jornalista desde os 14 anos , completei agora 72 com a certeza de que ainda tenho muito a aprender na vida e com a vida . Acredito ,entretanto , que aproveitei bem o tempo que me foi concedido. Compartilhei meus dias com brasileiros ilustres que fizeram história e , com eles , aprendí a arte de ser bom , honesto , gentil e leal. Não amontoei dinheiro em sendo assim , mas foi assim que enriquecí minh'alma e moldei meu carater . Escrevi durante muitos anos para os melhores jornais do país e por trinta anos o destino concedeu-me o privilégio de ser redator de politica internacional de "O Estado de S.Paulo" . Escreví alguns livros como "Vodka no Caribe","O Estopim da Fraude" , "Pássaro Cigano", "Jahu , A Semente e a Terra" e "Waldemar Bauab-Uma História de Coragem" .Corrí boa parte do mundo , trabalhando e estudando . E o mundo me tornou melhor e mais consciente das coisas .Aparou-me as arestas .Ensinou-me a não ter medo . Sou feliz assim , ainda e apesar dos contratempos e percalços que o destino plantou em meu caminho . Certamente , também , para aprimorar-me . Creio que estou preparado para atravessar o Rio da Vida . Sem queixas e sem mágoas .

REENCONTRO COM O PASSADO


Estou chegando devagar e entrando temeroso e aflito neste mundo da internet , que é novo e muitas vezes assustador para mim . Até agora usava o computador para tarefas simples e fáceis , que nunca exigiram de mim muito esforço ou talento . Dias atrás , entretanto , almoçando com meu sobrinho Octávio Junqueira Gonzaga Neto ,um médico de quem muito me orgulho , fui por ele alertado de que lêra o blog de uma pessoa que fôra meu amigo de juventude e que me elogiava bastante , embora jamais tenha tido a oportunidade de me reencontrar por mais de trinta anos . Corremos para verificar no computador . O texto era de Eduardo Penteado Lunardelli . Um amigo querido , inteligente , nobre de carater e de extrema competência em tudo o que fazia . Trilhamos juntos o caminho áspero da política estudantil e, mais tarde , da politica partidária . Voamos juntos com Carlos Lacerda , mergulhando em seus sonhos e aflições . Aos poucos , sentí uma saudade imensa invadir meu coração .E as lembranças dos sonhos perseguidos , das lutas travadas , dos percalços vencidos e das caminhadas percorridas me levaram de volta à juventude . Quem mais , senão um amigo verdadeiro , poderia realizar este milagre ? E Eduardo realizou . Sou grato a ele e grato ao Octavinho . Ambos descortinaram para mim este Mundo Novo e me incentivaram a criar este blog , meu cantinho humilde onde todos , desde já , são calorosamente bemvindos !


Conheci o Waldo quando eu tinha 17 anos e ele, 21 ou 22.Usávamos terno e gravata. Ele era secretário particular do então Presidente da UDN, e escrevia no jornal GAZETA MERCANTIL, uma colúna diária sobre política! Eu, naquele tempo, fazia poçítica estudantil e catava milho, no teclado das máquinas de escrever, como faço até hoje, nos teclados do computador. Ele escrevia com os 10 dedos, sem rascunho, numa tirada só, sua coluna diária. Isso, sempre com um cigarro pendurado à boca, e com seu anel de ouro, nas mãos brancas e magras, que sempre teve! Eu morria de inveja! E me lembro como se fosse hoje! Foi encostado nas paredes, sob um toldos do Mappin, no centro de São Paulo, escondendo de uma chuva pesada, na hora do almoço, que o Waldo me convidou para ocupar seu lugar, na secretaria do Deputado Herbert Levy.
Depois veio a Revolção, e depois fomos cada um para um canto cuidar da vida! O passado fazia parte do sonho de juventude. Há pouco mais de um ano
 nos reencontramos nos blogs! Ele com seu MUNDO NOVO, e as mesmas crônicas bem escritas, as mesmas ideias daquele tempo, e muitas histórias de jornalista internacional que foi. Um reencontro emocionante. Cada um contando ao outro um pouco do presente, e do passado recente. Operações, internações, conversa de velhos, e de velhos amigos! Foi muito bom reencontrar o Waldo, que naquele tempo assinava Waldo Domingos Claro.

4 comentários:

  1. Caro Eduardo : sua homenagem me emocionou . Tentei colocar um comentário no novo blog e não consegui . Segue o que escreví : "Eduardo , meu querido amigo : assim não há coração que aguente . Obrigado pela homenagem . Obrigado pelas lembranas de um passado que não morre . Obrigado por V. ser o que é : um ser humano excepcional . Sua homenagem me emocionou . E por falar em homenagem , no proximo dia 26 assumo a cadeira Gomes Paim na Academia de Letras de Jáu . É isso o que os amigos fazem com a gente . Nota dez para o seu novo blog . Abraços e até sempre . Waldo Claro" . Se conseguir coloque essas palavras no comentário do blog novo . Obrigado mais uma vez . Waldo Claro

    ResponderExcluir
  2. Fui até o "Mundo Novo" e li a postagem s/ o processo Cesare Battisti...

    Estive na Sardenha em fins de junho. Todos por lá comentavam com indignação a atitude do Lula e o desenrolar do caso.
    Como bem disse o Waldo
    o sr Lula "Envergonha o nome do Brasil no exterior." Me senti acanhada, envergonhada em dizer que era brasileira.

    ResponderExcluir
  3. Olá Eduardo...

    Hoje entendi exatamente o que senti no momento em que te liguei. Queria agradecer.Quando o parabenizei estava sendo grata pelo prazer e honra de ter essas pessoas em meu universo e isso graças a você e claro num ímpeto telefonei rsrsr. É adoravél a franqueza com que escreve e descreve seus amigos.Os relatos lembrados com tanta sinceridade e cuidado faz com que me sinta cada dia mais honrada por tê-lo como amigo. Não imagina a alegria. Naquele dia em que lhe chamei era mais ou menos isso que queria dizer. Mais uma vez venho te agradecer, porém confesso que a obrigação de fazê-lo é nada, perto da satisfação que isso me causa. Verdade!! Sempre penso que sou uma pessoa privilegiada por conhecê-los, tamanha é a identificação até mesmo com a oposição. São sentimentos assim que geram pensamentos que em horas como essa sempre louvarei a minha ignorância, pois se soubesse mais,certamente não sentiria o prazer que tenho em aprender. Cultura ao alcance da mão. Cultura sem cabresto para quem quiser saber, dita por pessoas que vivem mais. Opiniões pessoais mantidas. Mais que uma enchurrada de palavras ou ingestão desenfreada de informação... São notícias bem dadas, embasadas por conhecimento e vivência sem prepotência.
    Sempre pensei que envelhecer fosse exatamente como o senhor Waldo descreveu. Não apenas deixar o tempo passar.A consciente gratidão que sentimos pela vida podendo deitar-se sobre o tempo e simplesmente declarar esse sentimento...dizer "Quem sou eu" dessa maneira é traduzir a paz descrita em vida.

    Beijos,

    ResponderExcluir