terça-feira, 2 de julho de 2013

LUIS BENTO


Éramos todos blogueiros lá pelos idos de 2007, e nos achávamos donos do mundo. Escrevíamos, comentávamos, postávamos fotos, desenhos e pinturas. Tínhamos centena de visitas e de comentários. Os blogues estavam em alta. Inventávamos definições, palavras, e muitas brincadeiras. Algumas fizeram muito sucesso. Foi nesse ambiente de euforia que um dos amigos virtuais e blogueiro de Lisboa chamado Luis Bento, escritor e intelectual me convidou para prefaciar um livro seu. Tentei dissuadi-lo alegando que como artista plástico tinha pouca familiaridade com as letras e não era a pessoa certa, e qualificada, para ter a honra de cometer um prefácio. Ele não cedeu, insistiu e eu escrevi um prefácio, certamente muito aquém da obra do Luis. Mas ficamos amigos. Ainda que virtuais. O ano passado convidei-o para escrever a orelha do meu livro "O ultimo blog e outras blogagens". Ficamos mais amigos. Ainda que virtuais. Finalmente no mês passado nos conhecemos pessoalmente em Lisboa. Um jantar. Sentamos um ao lado do outro. Era mais alto do que imaginava. Branco, muito claro. Jovem como eu sabia. E tímido. Reservado. Silencioso. E quando falava, e falou muito, fazia num tom de voz quase que inaudível. Fala muito baixo. Tive muita dificuldade de entender tudo que o Luis me disse essa noite. E como éramos muitos à mesa, parecia que segredávamos, pois se eu não o ouvia sentado ao lado, o que poderiam ouvir os outros? Ficou dessa forma feitas as apresentações. Nos conhecemos pessoalmente. Precisamos, agora, conversar.

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