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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Maria Cecilia Machado




Como pude deixar de fazer minhas homenagens à querida amiga Maria Cecilia? Este blog se propõe a fazer aquilo que os nomes de rua e praças fazem depois que as pessoas morrem. Quero que saibam o que penso delas, em vida. Não foi o caso da Maria Cecilia. Acho que sempre acreditei que ela fosse eterna. Sua alegria pela vida, sua generosidade com as pessoas, seu sotaque carioca, sua cabeça de paulista, seu desprendimento e beleza eram notórios e contagiantes. Tivemos alguns anos de vida muito juntos, viajamos e demos boas risadas. O que é melhor nesta vida do que isso? Como prova de amor e desprendimento costumo contar que recebi dela como presente uma outra Maria que foi minha cozinheira durante anos. Só saiu de casa para casar. Muito tempo depois encontro as duas, novamente juntas, numa visita que fiz à Maria Cecilia que havia sido operada. Muito antes da dramática doença que a matou. Nesse dia, no hospital, as duas riam ao me verem. Lembravam do tempo que a Maria era minha cozinheira, mas quem de fato comandava a cozinha era sua antiga patroa. A Maria propriamente nunca soube cozinhar. E eu só soube disso naquela visita no hospital. Maria Cecília era assim, divertidíssima. Empresária competente, otimista no mais negro dos cenários econômicos por que passamos. Batalhadora e de mil histórias impagáveis. Desde a do seu casamento com um grego filho de um grande armador, e sua separação com a roupa do corpo. Ou as inúmeras histórias de ex-maridos que não deixavam de procura-la quando vinham a São Paulo. Um deles, carioca, estava sendo importuno e ela aconselhou-se com uma amiga experiente. O que faço para ele para de se hospedar no meu apartamento? A amiga disse: "Peça a ele um Rolex de ouro, já que nunca te deu um presente". Ela fez isso, e ele nunca mais apareceu. Dois dias depois da morte, só hoje 07 de Dezembro de 2018 soube da notícia. Entrei no Google atrás  de uma imagem da amiga. Minha surpresa: encontrei só três fotos. Uma dela com as lindas bolsas de palha. Um retrato em papel feito por mim, e uma caricatura que fiz dela. É tudo que guardo com muito carinho da minha saudosíssima amiga. Lamento não ter escrito tudo isso antes. Mas suponho que sempre achei que ela era eterna. E sua memória é.

PS- Retificando a primeira informação. Tinha sim escrito um texto sobre minha querida amiga no dia 26 de agosto de 2016. Esta postado aqui no 1.Blog.a+ e na verdade repito neste texto o que escrevi naquele dois anos atrás. Teria sido uma falha grave que não o tivesse escrito. Isso me lava a alma.

2 comentários:

  1. Caro Eduardo
    Não pude deixar de me emocionar ao ler esta sua mensagem de amor.
    Sorte sua, ter conhecido uma mulher assim. Lá onde Deus a tiver (por certo será num bom lugar, Maria Cecília não deixará de sorrir).
    Aqui deixo o meu fraternal abraço.

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    1. Obrigado caro Gaspar. Ela nos fará muita falta, mas com certeza esta num lugar melhor. Abraços.

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